Aposentados do Itaú Unibanco vão às ruas no dia 29 contra valores abusivos nos planos de saúde

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Mobilização cobra saúde digna e denuncia custos que se tornaram inviáveis após a aposentadoria

Em alusão ao Dia do Aposentado, celebrado em janeiro, funcionários aposentados do Itaú Unibanco realizarão, na quinta-feira (29), às 10h30, um protesto em frente à agência do banco localizada na Avenida Paulista, 1948, em São Paulo. O ato tem como objetivo denunciar os aumentos abusivos nos planos de saúde destinados aos aposentados e exigir a abertura de negociação com o banco e a Fundação Saúde Itaú, entidade gestora dos planos de saúde de trabalhadores ativos e aposentados.

A mobilização é organizada pela Comissão dos Aposentados do Itaú Unibanco, com apoio do deputado estadual Luiz Claudio Marcolino, bancário licenciado do Itaú e ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região (2004–2010), além do Sindicato dos Bancários e da Associação dos Bancários Aposentados (ABAESP).

Para Marcolino, a situação é grave e exige responsabilidade social do banco. “Estamos falando de pessoas que dedicaram décadas de trabalho ao Itaú e que, justamente no momento em que mais precisam de assistência à saúde, estão sendo empurradas para fora do plano por aumentos abusivos. Saúde não pode ser tratada como mercadoria, muito menos para quem já contribuiu tanto com a instituição”, afirma o parlamentar.

A atividade ocorre em um contexto de forte insatisfação dos aposentados com a política de reajustes aplicada às mensalidades. Recentemente, uma das operadoras do plano registrou reajuste de 15% em janeiro, o que gerou apreensão entre os beneficiários diante do risco de aplicação do mesmo índice por outras operadoras vinculadas à Fundação Saúde Itaú.

Os aposentados denunciam que muitos colegas já foram obrigados a abandonar o plano de saúde por não conseguirem arcar com os custos crescentes. Um novo aumento, alertam, pode intensificar ainda mais esse movimento, deixando uma parcela significativa dos aposentados sem cobertura de assistência médica, justamente na fase da vida em que mais se necessita de cuidados.

“O que os aposentados pedem não é privilégio, é dignidade, diálogo e justiça. Reajustes precisam respeitar a realidade de quem vive de aposentadoria. O banco tem condições de assumir sua parte nessa responsabilidade como já fez no passado”, reforça Marcolino.

O Itaú é um dos maiores bancos do país, e milhares de seus aposentados contribuíram durante décadas para o crescimento da instituição. Ainda assim, muitos relatam que os custos atuais dos planos de saúde tornaram o benefício inviável após a aposentadoria.

A questão já foi amplamente debatida em audiências públicas realizadas em diferentes esferas do Legislativo. Na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), o deputado estadual Luiz Claudio Marcolino foi o responsável pela realização de audiência pública sobre o tema e também participou da audiência promovida na Câmara dos Deputados, em Brasília. O debate ainda ocorreu na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e na Assembleia Legislativa da Bahia, com apoio de parlamentares. Além disso, a pauta foi levada a órgãos como a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e ao Ministério Público de Minas Gerais, estado onde está sediada a Fundação Saúde Itaú. Até o momento, porém, não houve solução concreta que atenda às reivindicações da categoria.

Principais reivindicações:

  • Congelamento imediato das mensalidades dos planos de saúde;
  • Abertura de negociação direta entre o banco, a Fundação Saúde Itaú e representantes dos aposentados, incluindo os sindicatos;
  • Critérios de reajuste compatíveis com índices como INPC ou IPCA, que reflitam a realidade econômica dos aposentados;
  • Transparência sobre os valores efetivamente subsidiados pelo banco enquanto os trabalhadores estavam na ativa;
  • Reingresso ao plano para quem teve de sair por impossibilidade financeira, em condições adequadas;
  • Inclusão de representantes dos aposentados no conselho gestor da Fundação Saúde Itaú.

Além de São Paulo, o protesto ocorre simultaneamente no Rio de Janeiro e em Salvador, reunindo aposentados e apoiadores que defendem um tratamento digno a quem dedicou grande parte da vida à instituição financeira.

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